O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, conhecido como TDAH, não ocorre apenas na infância. Muitos adultos chegam à vida adulta sem diagnóstico, acreditando que suas dificuldades fazem parte da personalidade, da rotina agitada ou da falta de organização. No entanto, em alguns casos, essas dificuldades podem estar relacionadas a um padrão persistente de desatenção, impulsividade, inquietação interna e prejuízos na autorregulação.
Em adultos, o TDAH pode se manifestar de forma diferente da infância. Nem sempre a hiperatividade aparece como agitação física evidente. Muitas vezes, ela surge como sensação de inquietação mental, dificuldade de relaxar, necessidade constante de fazer várias coisas ao mesmo tempo ou sensaçã
o de estar sempre “acelerado”.
Entre os sinais mais comuns estão a dificuldade para manter o foco em tarefas longas, esquecer compromissos, perder objetos com frequência, procrastinar atividades importantes, ter dificuldade em finalizar o que começa e sentir grande esforço para organizar a rotina. Também pode haver dificuldade em administrar o tempo, atrasos recorrentes, sensação de desorganização constante e oscilação no rendimento profissional ou acadêmico.
A impulsividade também pode estar presente, aparecendo em atitudes como interromper os outros, tomar decisões precipitadas, responder antes de pensar, ter dificuldade para esperar ou agir de forma imediata diante de emoções intensas. Em alguns adultos, o TDAH também se associa à baixa tolerância à frustração, irritabilidade, instabilidade emocional e sensação de sobrecarga diante de muitas demandas.
É importante destacar que apresentar alguns desses sinais não significa, necessariamente, ter TDAH. Ansiedade, depressão, estresse crônico, privação de sono, dificuldades emocionais e outros quadros também podem causar sintomas parecidos. Por isso, a avaliação profissional é fundamental para compreender a origem das queixas e diferenciar o TDAH de outras condições.
A avaliação neuropsicológica pode auxiliar nesse processo, investigando funções como atenção, memória, organização, controle inibitório, planejamento, velocidade de processamento e funcionamento emocional. Além dos testes, também são considerados a história de vida, os sintomas desde a infância, os prejuízos atuais e o impacto no trabalho, nos estudos, nos relacionamentos e na rotina diária.
Quando identificado corretamente, o TDAH pode ser tratado com acompanhamento adequado, que pode incluir psicoterapia, orientação psicoeducativa, estratégias de organização, mudanças na rotina e, quando necessário, acompanhamento médico. O diagnóstico não deve ser visto como um rótulo, mas como uma forma de compreender melhor o funcionamento da pessoa e buscar intervenções mais eficazes.
Se você percebe dificuldades persistentes de atenção, organização, impulsividade ou inquietação que interferem na sua vida diária, buscar uma avaliação especializada pode ser um passo importante para compreender melhor seus sintomas e encontrar caminhos de tratamento.
Neuropsicóloga Mara Plati.